Do outro lado do muro

Do outro lado do muro sinto as tuas chaves que rodam na fechadura.
Sinto o bater da porta com pressa de manhã e sinto-o derrotado ao fim do dia.

Sinto também os teus passos na escada.
Sei que são o silêncio naqueles dias em que só querias desaparecer.

Os barulhos das nossas casas fundem-se como o mar e o Tejo.
Afogamo-nos nas ondas desta solidão.

Durante o dia o vazio aumenta, sinto a espiral do remoinho que cresce.
Olho para o meio e tenho vontade de mergulhar.

Abro os olhos na areia, sinto a rebentação ao longe e o sal que sara as feridas.

Rodo as chaves na fechadura, bato a porta com pressa, desço as escadas em passos saltitantes. Sem silêncio e carregados de sonhos.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s