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Ponto Seguro

No teatro, ensinaram-me a fixar o olhar num ponto atrás da plateia, para dar a ideia que olho para todos ao mesmo tempo. Concentrada, altiva e presente. No pilates disseram-me que, para me poder equilibrar, devia escolher um ponto para fixar o meu olhar. Estável, segura e harmoniosa. Na vida, disseram-me para ter objetivos definidos…

Impressões na areia

O tempo goteja sedento de outro, nesta terra árida, vulcânica e quente que olha para os céus com lábios gretados. O tempo, com a sua ironia, passa como água numa torneira defeituosa. Português

Entardecer antes da hora

Os últimos raios de sol quentes lembram os dias de verão que julgavas infinitos. Como quando eras pequeno e fixavas os teus dedos dos pés na ponta da prancha. Diziam-te que tinhas de saltar mas tu não conseguias. Milímetro a milímetro, esticavas os dedos para te convenceres a avançar. As pessoas desapareciam à tua volta…

No sítio certo à hora errada

Encontraram-se no sítio errado à hora errada. Cruzaram-se sem se verem, falaram sem se aperceberem, conheceram-se sem notar. Corriam paralelos e em sentidos opostos, no sítio errado à hora errada. Eu via-os todos os dias, sem se olharem, sem se escutarem, com o olhar no finito que era mais um dia, mais uma semana e…

Big City Love III

Cada hora em que não te escrevo é uma vitória. A cada meu piscar de olhos e uma nova hora no relógio suspiro de alívio por não te ter escrito. A cada hora eterna que se divide em conjuntos de 15 minutos quando estou ocupada e de 5 em 5 quando o maldito ecrã do…

Longe da vista, longe do coração

Fechei as janelas, corri as persianas e apaguei a luz. Tudo na esperança de não te ver. Semicerrei os olhos só para ter a certeza que funcionava, mas não. Continuavas a cruzar o teu olhar com o meu. E eu, perdido, continuava a sorrir-te como se não estivesse mais ninguém na sala, mais ninguém no…

Os loucos riem com a tempestade

Trovões que ressoam cá dentro, a electricidade que te trespassa com pele de galinha, o braço de ferro com o vento que não te deixa caminhar. Abres os braços e deixas que te sustenha, é um pouco como voar. Lembraste das gaivotas que pairam fixas no mesmo ponto. O céu escuro e o teu olhar…